Testemunhos na primeira pessoa

Num grupo de pessoas em que quase todas são desconhecidas podes encontrar a paz que estavas à procura. Não a paz exterior, mas a interior. Foi assim que me senti ontem. No sítio certo, há hora certa com as pessoas certas no encontro pela paz e na comemoração do equinócio de outono.

A primeira aventura foi chegar ao local e descobrir o jardim do Barcouço. Nada que um belo sorriso não resolva, quando se faz parar um senhor de bicicleta e se pergunta direções. É motivo para dizer, quem tem boca vai ao Barcouço!

Quando cheguei percebi que conhecia poucas pessoas. Não fiquei muito stressada, pois sabia que tinha de estar ali naquele dia. Uma aula de Qi Gong, outra de Yoga e muitos sorrisos envolventes, de quem, efetivamente estava em paz, trouxe-me alguma tranquilidade.

O local era muito agradável e ver o pôr do sol por entre as árvores foi bastante tranquilizador. Momentos como este são importantes para acalmar a mente, largar um pouco as expetativas (esperanças fundadas em probabilidades!) e aproveitar o momento.

A celebração do equinócio de outono trouxe à memória a época das colheitas e como os nossos antepassados celebravam estes momentos com música, cantares, partilha de conhecimentos e afeto. Foi bom rever pessoas que já não via há algum tempo. Há abraços que não são para o corpo, são para a alma… mas o corpo também agradece.

Adorei ouvir o concerto de gongos e taças tibetanas. Sons que se propagaram no meu corpo e ressoaram em todas as minhas células. Para quem gosta, transmite uma paz de espírito muito grande. Então poder ouvi-los a olhar as estrelas tem um sentido completamente diferente. Viajei até onde o meu coração me permitiu e abracei as memórias que me fazem sorrir.

Enquanto coloco as conversas em dia perco a noção do tempo. Muitas partilhas e aprendizagens acontecem quase sem darmos conta. Quando fico atenta às coincidências percebo que ninguém está na nossa vida por acaso e se nós aparecemos na vida de alguém por algum motivo é, pois somos um todo, somos mestres uns dos outros.

Volto para casa com a sensação de missão cumprida e de coração mais tranquilo. Os meus desafios vão-me continuar a testar, o medo vai continuar a aparecer, as incertezas e as dúvidas também, no entanto, naquele momento, um paz esquisita invadiu-me e apenas me permiti flutuar no tempo.

Há momentos destes, em que me partilho de um modo que o tempo deixa de fazer sentido e há uma paz de espírito tão grande que apenas fico a viver ali. Algo sussurra no meu ouvido e me diz: “Acalma esse coração inquieto que as coisas vão dar certo!”.

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Guida Guardado

Professora, escritora e criadora do projeto Kids & Grown-ups.

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