Testemunhos na primeira pessoa

Para evoluir é preciso aprender e como acredito nisto, tenho transformado a minha vida numa montanha russa a todos os níveis. Como não podia deixar de ser, a educação é uma linha orientadora na minha vida e quando não estamos satisfeitos, temos de começar por nós. O ato de educar é de puro amor e basta um mudar para que o mundo todo mude.

Apesar de neste momento estar fora das salas de aula, sinto que posso fazer a diferença e há uns meses decidi iniciar uma formação com o professor José Pacheco, fundador da Escola da Ponte, a residir no Brasil. Para saberem mais sobre este projeto podem visitar o site.

Neste sábado tive o prazer de o ouvir ao vivo e quando temos dúvidas sobre aquilo em que acreditamos, deixamos de ter. Quando entrei na universidade, confesso que não sei bem como fui parar ao curso de professores, uma vez que os meus professores nunca me fascinaram ao ponto de eu querer ser igual a eles. Se calhar foi isso… que me conduziu até lá! Eu é que não sabia.

No meu percurso de professora, durante onze anos, sempre tentei fazer o meu melhor. Felizmente tive alunos muito diversificados, o que me permitiu ver o mesmo mundo de vários prismas. Se me deram trabalho? Muito! Mas que eu aprendi muito com eles, aprendi. E sou muito grata a todos, um por um. Hoje quando me cruzo com eles, a entrar na universidade, sei que deixei um bocadinho de mim nos seus corações e eles deixaram tanto, que nem imaginam.

Nos últimos anos, questionei-me muitas vezes, porque é que havia alunos que não aprendiam se eu fazia o meu melhor. Porque é que eu dava aula e eles não aprendiam? Percebi que se calhar era porque eu “dava aula”. Ainda não conhecia bem a ideologia das Comunidades de Aprendizagem que já existiam, no entanto, eu sempre soube que para que todos aprendessem o sistema teria que mudar.

Talvez não existindo anos de escolaridade todos poderiam ir ao seu ritmo e escolher, responsavelmente, aquilo que queriam estudar. Sendo orientados por um “professor” a desenvolver projetos de pesquisa tanto individuais como de grupo. A aprendizagem acontece quando ela é significativa. Todos sabemos isso. Quando para mim faz sentido, quando eu quero e sei para que é que aprendo, tudo se torna mais fácil.

Então, se a escola tem de mudar… a mudança tem de começar em mim, porque eu sou a escola. “A escola não é um edifício, escola são as pessoas, as pessoas são os seus valores. E as pessoas agem em questão de princípios. Esses princípios conduzem-nos a uma prática de projeto que denota comportamentos que formam atitudes.”. Palavras de José Pacheco.

Então a mudança tem de começar em cada um de nós. Se isto me dá medo? Claro que sim! E ainda bem, pois ele está a cumprir a sua função. Mas também sei que há uma urgência em mudar, uma vez que as nossas crianças e adolescentes cada vez mais veem a escola como um inimigo e não como uma comunidade de pessoas onde querem estar.

A primeira dificuldade que encontro para mudar sou eu mesma. A minha cultura, as minhas crenças e medos mostram-me que é muito difícil mudar. Há outras dificuldades: os alunos, os professores, os pais, o sistema…

A vida é mesmo assim, cheia de desafios. No entanto quando o amor está presente tudo muda, porque ele abre caminhos. Como diz uma amigo meu “coisas boas acontecem”. Tão verdade, por vezes estão mesmo diante dos nossos olhos e não as vemos.

Para evoluir é preciso aprender e estar disposto a isso. Este será mais um caminho desafiante que vou continuar a percorrer.

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    1. Obrigada Matilde. Um beijinho grande! 🙂

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